quinta-feira, 25 de março de 2010

O Mundo perdeu dois Estados de SP de florestas na última década, diz ONU

25/03 - 09:03 - BBC Brasil

O mundo perdeu uma área superior a dois Estados de São Paulo em florestas na última década, apesar da queda no desmatamento, segundo um relatório divulgado nesta quinta-feira pela FAO, a agência da ONU para agricultura e alimentação. Segundo o relatório Avaliação Global de Recursos Florestais 2010, houve uma redução na área média desmatada no mundo, de 16 milhões de hectares anuais durante a década de 1990, para 13 milhões de hectares anuais na década de 2000.

O Brasil teve uma redução significativa na perda de florestas na última década - de 2,9 milhões de hectares anuais nos anos 1990 para 2,6 milhões nos anos 2000 -, mas permanece como o país com o maior desmatamento no mundo.

A FAO observa que a perda líquida de florestas no mundo na última década foi reduzida ainda por conta de amplos programas de reflorestamento promovidos principalmente por China, Índia, Vietnã e Estados Unidos.

Na comparação com a década de 1990, houve uma redução de 37,3% no ritmo de perda de florestas no mundo na última década - de 8,3 milhões de hectares (equivalente à área do Estado do Rio de Janeiro) para 5,2 milhões de hectares (equivalente à área do Rio Grande do Norte ou às áreas somadas do Espírito Santo e do Distrito Federal).

Concentração

Segundo o levantamento da FAO, há 4 bilhões de hectares de florestas no mundo, o equivalente a cerca de 31% de toda a área terrestre. Cinco países - Brasil, Rússia, Canadá, Estados Unidos e China - concentram mais de 50% de toda a área de florestas no mundo.

O relatório da ONU aponta a América do Sul como o continente com a maior perda de área de florestas na última década (4 milhões de hectares anuais), seguida da África, com 3,4 milhões de hectares de florestas perdidas por ano.

No outro oposto, a Ásia registrou um ganho líquido de 2,2 milhões de hectares anuais de florestas na última década, graças aos programas de reflorestamento adotados por vários países da região.

A China foi o país com o maior ganho de florestas na última década, segundo a FAO.

O Brasil, a Indonésia e a Austrália são apontados como os países com a maior perda líquida de florestas no mundo. Mas enquanto no Brasil e na Indonésia houve uma redução no desmatamento na última década, na Austrália houve um aumento, em consequência da seca e de grandes incêndios florestais nos últimos anos.

Esforços coordenados

A FAO monitora a situação das florestas no mundo a cada 5 ou 10 anos desde 1946. O relatório deste ano, cujos dados completos devem ser divulgados somente em outubro, traz dados coletados em 233 países e territórios do mundo.

"Pela primeira vez fomos capazes de mostrar que o ritmo de desmatamento caiu globalmente como o resultado de esforços coordenados tanto no nível local como no nível internacional", afirma Eduardo Rojas, diretor-geral assistente do Departamento de Florestas da FAO.

A organização observa, porém, que o nível de desmatamento ainda é muito alto em muitos países e destaca a importância que as florestas têm no combate ao problema das mudanças climáticas, por serem grandes depósitos de carbono - floresta desmatada significa mais carbono na atmosfera.

Segundo Mette Løyche Wilkie, coordenadora do relatório, o fato de os programas de reflorestamento da China, da Índia e do Vietnã estarem previstos para terminar em 2020 significa que há uma ameaça de que haja um novo aumento nas perdas de florestas no mundo se não houver novas intervenções para conter o desmatamento e para promover o reflorestamento.

HORA DO PLANETA - CAMINHADA ECOLÓGICA



PROGRAMAÇÃO:

CAMINHADA ECOLÓGICA

Local e horário do encontro:
Às 08:30hs da manhã no final da Praia da Costa, na Praia da Sereia, próximo ao Clube Libanês.

08:30hs (manhã) - Chamada à Consciência Ambiental
Palavra:
George Santos Borges - Secretário de Meio Ambiente do PV
Sylas Motta - Naturopata e Ativista Ambiental filiado ao PEA

Trajeto: Subida ao Morro do Moreno
Participantes:
- 1ª Igreja Batista em Itaparica (Ministério dos Esportes)- www.pibitaparica.com.br
- Faculdade Metodista do Espírito Santo (www.metodistaes.edu.b)
- Núcleo Integrado de Música (www.nucleointegradodemusica.cjb.net)
- População em geral

APAGAR DAS LUZES
20:30hs às 21:30hs (uma hora)

Participe conosco. Mostre para nossos líderes sobre a sua preoupação com o nosso Meio Ambiente

MAIORES INFORMAÇÕES:
Sylas Motta
(27) 3032-7242
E-mail: symot28@hotmai.com

Deputados da agricultura ameaçam com boicote a patrocinadoras de ONGs

Fonte: Valor Econômico
Quarta-Feira, 24 de Março de 2010, 16h53


A bancada ruralista na Câmara reagiu ontem ao lançamento da campanha "Exterminadores do Futuro", criada pelos ambientalistas identificar os principais líderes do movimento de alteração das leis ambientais do país na tentativa de retardar a tramitação de propostas de mudança no Código Florestal Brasileiro.

A Frente Parlamentar Nacionalista, composta em sua maioria por ruralistas, ameaçou iniciar um boicote a produtos de empresas patrocinadoras de ONGs ambientalistas. "Se querem nos intimidar, estamos para aqui reagir. Se não sabem dialogar, certamente o Bradesco saberá", disse o coordenador do movimento suprapartidário, o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP).

Relator da comissão especial de reforma do Código Florestal, ele sugere que a pressão comece pelos produtores rurais. "As cooperativas podem sugerir aos seus produtores que fechem suas contas no Bradesco", afirmou, em referência à parceria mantida pelo banco e a Fundação SOS Mata Atlântica, a ONG que lidera a campanha para identificar os "exterminadores" ruralistas.

No mesmo tom usado pelas ONGs para constranger os ruralistas, a nova Frente Nacionalista lançou o "Prêmio Joaquim Silvério dos Reis", sugerindo uma ligação entre o delator do movimento patriótico Inconfidência Mineira e as motivações políticas de ONGs ambientalistas que atuariam em favor de interesses estrangeiros.

"Vamos dar essa medalha a quem tiver interesse em prejudicar o Brasil", disse Rebelo. "Quem patrocina essas ONGs são a Volkswagen, a Coca Cola, a Colgate-Palmolive, estimuladas pelos chiques e famosos de São Paulo". O deputado Sarney Filho (PV-MA) foi apontado como principal articulador parlamentar do movimento. Procurado pela reportagem, ele não foi localizado.

Os ruralistas acusam uma tentativa de intimidação por parte dos ambientalistas às vésperas das eleições de outubro. "É uma campanha difamatória, claramente intimidatória", disse o deputado Moacir Micheletto (PMDB-PR), presidente da comissão especial do Código.

Parceira do Bradesco na emissão de 200 mil cartões de crédito e 2 milhões de títulos de capitalização, a SOS Mata Atlântica afirma que os parlamentares estão "trilhando um caminho perigoso" ao tentar rotular as ONGs como inimigas do setor rural.

"Estão apelando, é um caminho perigoso porque tem deputados patrocinados pelas empresas do Klabin", afirmou o diretor de Políticas Públicas, Mario Mantovani, em alusão ao grupo produtor de papel, celulose e embalagens do presidente da organização, Roberto Klabin. "Sabíamos que era um ano eleitoral e que viria a reação. O Bradesco é um parceirão de 20 anos, mas não temos patrocínio deles. Trabalhamos com direitos difusos e eles com interesses específicos".

Os ambientalistas afirmam que a reação dos ruralistas é "desproposital, descabida" porque a lista dos parlamentares ainda não está concluída. "Não queremos encrenca nem briga. Não tem lista, foi só uma indicação. Eles ainda serão informados antes do fim do processo. Não somos irresponsáveis", disse Mantovani. "É uma reação muito maior do que a nossa ação, desproposital, descabida. Essa campanha pode ser um fiasco, está mais na mão deles".

O diretor da SOS Mata Atlântica afirmou que os deputados ruralistas romperam acordos firmados antes do início da tramitação da proposta de um novo Código Florestal. " Quem rompeu os debates foi uma parte dos ruralistas. Por isso, deixamos de ir a debates. Não vamos legitimar isso", afirmou Mantovani. O diálogo ficou insustentável, segundo ele, porque o projeto do deputado Valdir Colatto (PMDB-SC), que prevê a criação do Código Ambiental, acabaria com as principais regras e instituições ambientais do país.

"O Colatto quer acabar com o Conama, o Sisnama e as unidades de conservação", disse Mario Mantovani, em referência ao colegiado de representação paritária e o sistema nacional que decide as regras ambientais brasileiras.

Movimentos sociais dizem que Belo Monte é inviável do ponto de vista técnico, mas governo rechaça acusações

Enviado por Lilian Beraldo, qua, 24/03/2010 - 17:00


Flávia Villela
Repórter da Agência Brasil


Rio de Janeiro - O projeto da Usina Hidrelétrica Belo Monte é inviável do ponto de vista técnico e socioambiental, segundo representantes de movimentos sociais que protestaram hoje (24) em frente à sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) contra o financiamento público da usina a ser construída no Rio Xingu, no Pará.

A antropóloga Cecília Mello, da Rede Brasileira de Justiça Ambiental, classificou o projeto de Belo Monte de faraônico. Segundo ela, o projeto vai gerar pouca energia e vai demandar enorme investimento. A antropóloga afirma que os engenheiros das construtoras estão preocupados, pois não há garantias da viabilidade técnica da obra.

“Pesquisadores independentes e renomados de várias universidades brasileiras e internacionais analisaram o projeto e seus impactos ambientais e comprovaram que dos 11.181 megawatts de potência da hidrelétrica, apenas 39% de energia seriam gerados, pois o Rio Xingu tem uma vazão que varia 20 vezes ao longo do ano e a época da cheia dura apenas quatro meses. Estamos falando de cerca de R$ 35 bilhões que poderiam ser investidos em diversas alternativas energéticas.”

Tanto a Eletrobrás quanto o Ministério de Minas e Energia (MME) rechaçaram as afirmações dos ambientalistas, informando que o governo cumpriu todas as etapas legais para a construção da Usina de Belo Monte. Lembram, inclusive, que o leilão da hidrelétrica está marcado para o próximo dia 20 de abril.

A representante do Movimento Xingu Vivo para Sempre, Renata Soares Pinheiro, disse que cerca de 140 quilômetros do leito do rio vão praticamente secar com o desvio das águas do Rio Xingu para gerar energia.

“Nesse trecho existem milhares de famílias ribeirinhas, três terras indígenas. Nos documentos do Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis], essas populações ribeirinhas que vivem abaixo da barreira não são consideradas como impactadas pelo projeto, então elas não têm direito a nada.a”

Ainda segundo Renata, os pareceres técnicos identificaram riscos de que não haja condições de garantir a navegabilidade do rio e a manutenção da qualidade da água que são a base da vida dessas populações locais. “Mais de 75% dessas populações vivem dos peixes e há espécies deste trecho do Rio Xingu que tendem a desaparecer.”

Cecília Mello acredita que o projeto só seria lucrativo para os investidores caso fosse construída uma segunda barragem em Altamira para manter uma vazão alta, plano inicial que foi modificado por pressões sociais.

“Do ponto de vista socioambiental seria um desastre sem precedentes, pois estamos falando de um corredor verde no meio da Amazônia que vai receber um contingente populacional atraído pela hidrelétrica e a pressão populacional na região será incontrolável o que pode provocar o desmatamento e a destruição da floresta.”

Para ela, o crescimento econômico defendido pelos governos deve ser questionado pela sociedade brasileira.

“Precisamos pensar para quê e para quem servirá esse desenvolvimento. Essa energia será gerada para quem? O estudo de impacto não define a linha de transmissão, não sabemos para onde vai essa energia. Estamos falando de um ciclo insustentável de desenvolvimento e a sociedade precisa debater se o Brasil precisa realmente desta energia.”

quarta-feira, 24 de março de 2010

Reação ecológica no Brasil, artigo de Maurício Gomide Martins

Um fato que reputo como de excepcional importância para o Brasil e o mundo ocorreu no oeste de Mato Grosso no final de dezembro de 2008.

Sinteticamente, foi noticiado no jornal da TV Globo na noite de 27.12.2008. Só. Corri atrás de notícias mais pormenorizadas, mas nada encontrei nos principais jornais do Brasil, inclusive “O Globo”. Pela internete também nada encontrei. Como sempre, a mídia se ausenta em informações importantes, porque contrárias aos interesses econômicos. Essa notícia era para ser veiculada com fartura, objeto de análises, comentários, com grande repercussão mundial. Mas, como não houve a jogada de uma menina pela janela… Constitui o fato um vívido reflexo dos impactos ambientais que a civilização, em holocausto ao progresso, causa em todos os recantos do planeta.

Os índios daquela região, qual ninho de marimbondos ameaçados, se uniram e atacaram ferozmente o campo de obras de preparo para a construção de uma usina hidroelétrica que, com aprovação do governo, iria trazer mais progresso para o Estado.

Queimaram tudo o que encontraram: as construções pioneiras, alojamentos, escritórios, veículos, motores estacionários, instalações elétricas e todo o conteúdo. Não mataram ninguém. Seu objetivo era destruir somente a estrutura já instalada, bens materiais representativos do progresso dos insaciáveis civilizados.

Apesar de a planta industrial se localizar fora das reservas indígenas, os índios alegaram que as atividades estavam impactando o meio ambiente em que vivem. As obras estavam causando o rareamento dos peixes, dispersão de caça e poluição dos rios, fatores que constituem o conjunto vivencial a que chamamos meio ambiente. Eles, que vivem em contato direto com esses fatores e deles dependem para satisfazer a simples necessidade básica da alimentação, sentiram na própria pele as conseqüências do chamado desenvolvimento.

Não tiveram outra opção senão a de reagirem. E o fizeram de forma radical para que não ficassem dúvidas nos burocratas de que os males que estavam causando representam a exclusão de vivência dos homens que habitam aquela região. Isso nos dá a lição também de que a atividade industrial localizada afeta, direta ou indiretamente, todo o planeta. O que comprova a tese de que soluções básicas devem ser globais e não nacionais, pois que, em assuntos ambientais, não existem países; existe o globo terrestre.

Tal como ocorreu na ilha de Bougainville, as reações de nosso homem dependente direto da Natureza foram simplesmente uma luta pela sobrevivência. Legítima e justa, portanto.

Fica o exemplo de que essa é a linha natural de atitude dos homens quando enxergam, no momento do impacto ambiental, que ou agem ou perecem. Indica claramente o que ocorrerá no mundo quando a semântica de desenvolvimento, crescimento, progresso mudar para o seu verdadeiro sentido: destruição e morte.

Maurício Gomide Martins, 82 anos, ambientalista, colaborador e articulista do EcoDebate, residente em Belo Horizonte(MG), depois de aposentado como auditor do Banco do Brasil, já escreveu três livros. Um de crônicas chamado “Crônicas Ezkizitaz”, onde perfila questões diversas sob uma óptica filosófica. O outro, intitulado “Nas Pegadas da Vida”, é um ensaio que constrói uma conjectura sobre a identidade da Vida. E o último, chamado “Agora ou Nunca Mais”, sob o gênero “romance de tese”, onde aborda a questão ambiental sob uma visão extremamente real e indica o único caminho a seguir para a salvação da humanidade.

Nota: o livro “Agora ou Nunca Mais“, está disponível para acesso integral, gratuito e no formato PDF, no link abaixo:

http://www.ecodebate.com.br/pdf/agora_ou_nunca_mais.pdf


Fonte: http://www.ecodebate.com.br

segunda-feira, 22 de março de 2010

Dia Mundial da Água - Uma breve reflexão sobre este valioso bem natural



22/03/2010 - 11h03
Por Edgard José Laborde Gomes e Martim Assueros Gomes*


Comemora-se todo dia 22 de março o Dia Mundial da Água, criado pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 1992. Aproveitamos aqui essa importante iniciativa para refletirmos sobre o domínio, uso e preservação deste valioso bem natural.

Considerando que a água é um recurso natural essencial à vida e de uso comum do povo; que sua natureza é difusa enquanto bem indivisível, ou seja, que não pode ser repartido; que ao mesmo tempo em que pertence a todos ninguém em específico o possui; e que sua titularidade diz respeito a pessoas indeterminadas da coletividade e do domínio público, conclui-se que sua gestão é de responsabilidade do Poder Público.

Muitas vezes a ilusão da abundância tem mascarado a realidade, mas o fato é que a água de boa qualidade para consumo humano está cada vez mais escassa, o que é motivo de grande preocupação, pois a capacidade de recarga das reservas hídricas são complexas e demoradas (Tabela 1/1).

Nunca é demais lembrar que de toda a água existente na Terra menos de 3% correspondem a água doce. E quando consideramos apenas o volume disponível para consumo em rios e lagos, este índice não chega a 0,2%, visto que a maior parte da água doce concentra-se nas calotas polares e geleiras ou em subsolos profundos (Tabela 1/1).

Tabela 1/1
Distribuição de água na biosfera e período de tempo necessário para a renovação das reservas hídricas do planeta

Local Volume* % Tempo de Renovação

Oceanos 1.370.000 97,61 3.100 anos
Calotas polares e geleiras 29.000 2,08 16.000 anos
Água subterrânea 4.000 0,29 300 anos
Água doce de lagos 125 0,009 1-100 anos
Água salgada de lagos 104 0,008 10-1.000 anos
Água misturada no solo 67 0,005 280 dias
Rios 1,2 0,00009 12-20 dias
Vapor d’água na atmosfera 1 0,0009 9 dias
Fonte: R.G. Wetzel, 1983.

* Volume em 1.000 km3

O Brasil é um país privilegiado em termos hidrográficos, pois abriga a bacia Amazônica e o aquífero Guarani - os maiores do mundo em suas modalidades hídricas, além dos rios São Francisco e Paraná, unidades hidrográficas de importância inestimável. A propósito, esses três rios formam uma das maiores redes fluviais perenes do planeta.

Essa disponibilidade hídrica brasileira, entretanto, tão favorável em termos quantitativos e que corresponde a 11,6% da água doce disponível no mundo, não significa equilíbrio qualitativo. Os nossos grandes rios ficam distantes dos centros urbanos, ou seja, das grandes concentrações populacionais, o que torna a distribuição da água bastante irregular. A maior parte da nossa água doce – cerca de 70% - encontra-se na Região Amazônica, a menos habitada, enquanto os cerca de 30% restantes distribuem-se desigualmente pelo país, para atender a 93% da população. Ao Sudeste, por exemplo, a região brasileira com maior concentração populacional, cabem apenas 6% do total da água; e ao Nordeste, somente 3%.

Além disto, a qualidade das águas é comprometida pela poluição ambiental e pelo desmatamento - inclusive de matas ciliares, o que submete os rios à erosão e assoreamento e põe em risco, até, nascentes e outras unidades hídricas. Em seu trajeto, os cursos de água recebem diferentes tipos de poluentes, com os seguintes destaques: nos grandes centros urbanos, esgotos domésticos e industriais são neles despejados, além de servirem de depósito e escoadouro de resíduos sólidos; em algumas regiões brasileiras, principalmente na região Amazônica e Pantanal, são contaminados por mercúrio, metal pesado utilizado em garimpos clandestinos; e contaminados por agrotóxico e adubos químicos ao percorrerem plantações agrícolas, em especial monoculturas de larga escala. Em alguns casos, principalmente quanto aos dois últimos, também há risco de contaminação ocupacional.

O desperdício acompanha igualmente os diversos usos e consumos da água, desde os sistemas ineficientes de irrigação na agricultura e a não aplicação, pelas indústrias, da reutilização em seus processos produtivos, até as nossas pequenas atividades domésticas, como tomar banho, escovar os dentes e lavar o carro, pela falta de orientação e informação.

Ressalte-se, ainda, que a explosão populacional tem grande influência no desequilíbrio quantitativo e qualitativo dos recursos hídricos, pois sobrecarrega as atividades industriais e agrícolas. Mundialmente, o maior consumo de água cabe à agricultura - 67%, seguido pelo uso industrial (23%) e residencial (10%).

A água é um bem renovável, porém finito, e possui significado socioeconômico. A degradação causada pelo uso ineficiente o torna limitado e escasso, o que se verifica em muitos lugares, mesmo em regiões onde antes havia suficiência hídrica.

A seguir, alguns indicadores de consumo e sugestão de ações e hábitos que podem contribuir para o uso racional da água:

Gasto de água por tipo de consumo residencial no Brasil:

46% do consumo – chuveiro;

14% do consumo – cozinha e vaso sanitário;

12% do consumo – lavatório;

8% do consumo – máquina de lavar roupa;

6% do consumo – torneira de uso geral.


Ações que contribuem para o uso racional da água:

1. Em casa

Chuveiro:

Um banho de 15 minutos exige 105 litros de água. Reduza o tempo para 10 minutos e o consumo cai para 70 litros.

Cozinha:

Lavar louça com a torneira aberta acarreta um gasto de 112 litros. Uma boa maneira de economizar água é encher a cuba da pia de água, limpar os resíduos de comida dos utensílios com esponja e sabão e depois enxaguar com água limpa.

Vaso sanitário:

Sozinho, o vaso sanitário pode representar 50% do gasto de água de uma residência. Verifique periodicamente se o sistema de descarga está regulado e sem vazamento.

Lavatório:

Enquanto ensaboa as mãos feche a torneira, pois cada vez que você lava as mãos com a torneira aberta o tempo todo, são gastos aproximadamente 7 litros de água.

Máquina ou tanque de lavar roupa:

Procure racionalizar o uso, juntando uma boa quantidade de roupa suja em cada lavagem. Além do que, a água do último enxágue das roupas pode ser reutilizada para ensaboar tapetes, tênis e cobertores. Também serve para, lavar carro, pisos e calçadas.

Torneira de uso geral:

Verifique se não há vazamentos. O simples gotejamento de uma torneira consome 60 litros por dia ou 2m³ por mês.


2. Na indústria

Invista no uso sustentável da água no processo produtivo, com a instalação de sistemas de reutilização, resfriamento e alimentação de caldeiras, além do reaproveitamento em rega de jardins e lavagem de pátios.

Discuta a questão da água com sua família, seus vizinhos, sua comunidade. Procure formar grupos de discussões na Escola, nas Associação de Moradores, nos espaços recreativos. Leve a discussão à Rádio Comunitária, à Câmara de Vereadores, ao Ministério Público, às Promotorias de Justiça.

É possível atingir grandes mudanças a partir dessas simples atitudes, que ainda que pequenas, têm importância fundamental na preservação dos recursos hídricos.

A escassez e o comprometimento da qualidade dos recursos hídricos exigem que adotemos com urgência hábitos de consumo adequados, eficientes, saudáveis. Talvez “uso consciente”, “uso racional” ou “uso inteligente” sejam expressões mais apropriadas, enquanto adjetivos que expressam melhor uma atitude humana vinculada à sua própria preservação.

Contudo, a água não é um elemento isolado na teia da vida. Nela, tudo está interligado. Precisamos, portanto, adotar novos hábitos de consumo e atitudes de interação e harmonia com o meio ambiente como um todo, considerando seus processos inter-relacionais, interdependes e sistêmicos.

Ao Poder Público cabe instituir políticas que possibilitem o perceber dessa interligação de elementos e favoreçam a gestão ambiental. E neste sentido, a Educação Ambiental surge como importante instrumento.

*Edgard José Laborde Gomes - Consultor Ambiental e Assessor Diretoria ABIEPSPós - Graduado em Direito Ambiental
edgard@labordeambiental.com.br

*Martim Assueros Gomes - Sociólogo - Pós-Graduado em Educação Ambiental
assuerosmartim@yahoo.com.br

quinta-feira, 18 de março de 2010

PREFEITURA DE VILA VELHA CONTINUA COM SUA DERRUBADA DE ÁRVORES NA CIDADE

Imagem: Flagrante de mais um corte de árvore em Vila Velha-ES







A prefeitura da cidade de Vila Velha mais uma vez continua andando na contramão. Enquanto no restante do Brasil e mesmo em muitas cidades no planeta estão preocupadas com a preservação do verde, a Prefeitura Municipal de Vila Velha está preocupada com o seu grandioso projeto arquitetônico para a cidade. E para que esse grandioso (e nada inteligente) projeto seja concluído estamos assistindo ao absurdo corte de nossas árvores, pois não foram levadas em consideração no projeto.
O absurdo teve início com o corte das Castanheiras na Orla do município. Apesar dos protestos e manifestações de indignação da população, essa agressão insana só foi paralisada porque o Ministério Público foi acionado. O motivo? As Castanheiras são protegidas por legislação municipal.
Entretanto, as árvores localizadas na Av. Champagnat e em outros pontos da cidade não tiveram a mesma sorte. Hoje encontramos calçadas vazias e arbustos no lugar das antigas árvores. Muito triste pois sempre falava para meus amigos de outros estados que Vila Velha era uma cidade verde. Hoje, a cor cinza é o que predomina.

Nessa manhã do dia 18 de Março de 2010 pude registrar mais um flagrante dessa atividade imoral. O corte de mais uma de nossas árvores na Avenida Jerônimo Monteiro, bem na esquina da loja Casa e Vídeo.

O descaso é tão grande que ninguém ficou constrangido em ser fotografado.
Que o mandato do atual prefeito termine logo e que venha alguém com mais juízo para o seu lugar pois depredar com a natureza por causa de um mero projeto para satisfazer seu ego político não funciona como justificativa para tal ato. Até mesmo por que nenhum prefeito gosta de passar despercebido no seu mandado e o que foi feito pelo seu antecessor nunca, na visão deles, é adequado. Resultado disso: novas quebradeiras pela cidade para a execução de um grande projeto arquitetônico com o dinheiro do povo que sempre é feito de palhaço.

Meus parabéns prefeito Neucimar Fraga. Conseguiu mais uma vez chamar a atenção. Pena que foi por um ato inconseqüente e não por uma boa causa.

Belo Monte: a Viúva Porcina do setor elétrico

Por Ivan Dutra Faria*, Exclusivo para a Agência Ambiente Energia











Há alguns anos, dando aulas em um curso de pós-graduação, ao responder a uma aluna, comparei o projeto da usina hidrelétrica Belo Monte à Viúva Porcina, inesquecível personagem vivido pela atriz Regina Duarte na novela “Roque Santeiro”. A obra do notável dramaturgo Dias Gomes tem tantas artimanhas que, em uma genial tirada do autor, Porcina foi epitetada de “a que era (viúva) sem nunca ter sido”. O mesmo ocorre com a hidrelétrica do Xingu, demolida, diariamente, sem nunca ter, sequer, começado a ser construída.

Para meu espanto, nem a autora da pergunta nem qualquer de seus colegas pós-graduandos conheciam Porcina, Roque ou Sinhozinho Malta. Uma obra-prima da cultura “novelística” brasileira era um grande nada para aquelas pessoas. Um espanto!

Eu só não contava com outra surpresa, ainda maior. Todos, absolutamente todos, já tinham ouvido falar de Belo Monte – e da pior maneira possível. Um projeto que iria destruir o rio mais bonito do Brasil! Uma usina que iria deslocar milhares de pessoas de suas casas! A índia com o facão no pescoço do engenheiro! O Sting estava lá! A Lucélia Santos também! Essas frases são apenas algumas das que foram ditas na ocasião.

O conflito de Belo Monte ocorre em uma região de expansão da fronteira agrícola na Amazônia – intensificada no Governo Militar pós-1964 – que foi abandonada pelo Estado brasileiro.

O fato gerador de conflitos é, aparentemente, o projeto de um complexo hidrelétrico, mas, na verdade, a região de Altamira acumula uma longa história de embates, envolvendo índios, madeireiros, latifundiários, grileiros, biopiratas, pequenos agricultores, entre outros, em um grande e explosivo caldeirão político, econômico e social.

A resistência a Belo Monte se sustenta, em boa medida, na difusão de informações que levam o conflito para o campo das convicções e das crenças. Os movimentos sociais que se opõem à usina se manifestam de maneira a contestar a validade das informações fornecidas pelos responsáveis pelo projeto.

Outro ponto de sustentação dessa oposição é o histórico da Usina Hidrelétrica Tucuruí, especialmente no que diz respeito às questões socioeconômicas. Os processos de relocação e de indenização dos moradores atingidos pela implantação da usina são constantemente apontados como injustos e arbitrários por aqueles que se opõem a Belo Monte.

Embora o setor elétrico se julgue em condições de rebater a maioria dessas afirmações, suas ações de comunicação social pouco ou nada adiantaram no sentido de diminuir as resistências. Um exemplo dessa contradição pode ser encontrado na edição de 7 de setembro de 2004 do The New York Times. O jornal publicou uma reportagem na qual se afirma, entre outras coisas, que, em Tucuruí, as árvores submersas emitem gases que acidificam a água e danificam as turbinas. Desse modo, a inundação da vegetação teria resultado na emissão de toneladas de gases responsáveis pelo agravamento do efeito estufa, o que faria da usina “virtualmente uma fábrica de metano”.

Ironicamente, a reportagem foi publicada após três décadas da criação da Eletronorte e no ano em que Tucuruí comemorou 20 anos do início de sua operação. A reportagem do jornal estadunidense foi montada sobre previsões não confirmadas e que há décadas vêm sendo desmentidas pela Eletronorte, inclusive por meio do relatório da Comissão Mundial de Barragens, de abril de 2000.

Esse não é um fato isolado. Apesar da confiança dos pesquisadores responsáveis pelos programas de monitoramento ambiental em Tucuruí, isso não foi capaz de evitar que Belo Monte continuasse enfrentando resistências que, quase sempre, se mostram associadas às “catástrofes” da outra usina. Fatos como esse sugerem que a desarticulação interna e a postura reativa – características setoriais, infelizmente – são determinantes para a utilização de argumentos dessa natureza.

Não há dúvida de que a questão da informação – a saber, seu controle, sua validação e sua disseminação – está no centro dos conflitos do setor elétrico na Amazônia. Esse contexto prejudica fortemente a viabilização dos projetos e desgasta a imagem do setor.

Como assinala o citado relatório da Comissão Mundial de Barragens, a maior parte dos impactos ambientais previstos para Tucuruí tinha como referência a experiência da criação de grandes reservatórios em regiões tropicais. Entretanto, esse conhecimento estava restrito a algumas represas africanas e ao lago formado em Brokopondo, na Guiana.

Os impactos não foram confirmados em Tucuruí, onde foram feitas experiências muito bem sucedidas em programas socioambientais, cujos resultados são públicos e acessíveis. Entretanto, isso não impediu que as mesmas previsões continuassem sendo equivocadamente divulgadas, ainda hoje, pela mídia nacional e internacional, com óbvios reflexos no acirramento dos ânimos.

Há vários motivos para isso. Um dos mais importantes é a falta de articulação, no setor elétrico, entre as áreas de comunicação, de engenharia e de meio ambiente. Esse descompasso prejudicou severamente a negociação dos conflitos surgidos, a partir de 1988, na região de Altamira.

Note-se que o setor caracterizou-se, especialmente entre as décadas de 1970 e 1990, por uma notável visão de planejamento de longo prazo. Essa característica provocou inevitáveis colisões com um setor ambiental em construção, às voltas com a criação de suas próprias diretrizes de planejamento e gestão – diretrizes essas fortemente influenciadas pelas experiências de países em estágios mais avançados de desenvolvimento econômico e social, bem como de representatividade das organizações sociais.

Paradoxalmente, a competência no planejamento setorial não evitou a fragmentação empresarial provocada pelo fato de a Eletrobrás não exercer um controle efetivo sobre as suas subsidiárias. O setor, na verdade, se configura como um conjunto de empresas estatais com diversos modelos de gestão, cada um deles significativamente afetados pelos arranjos políticos montados após cada eleição presidencial no Brasil.

A ausência de uma gestão unificada do Grupo Eletrobras, diferentemente do que ocorre na Petrobras, por exemplo, gera modelos distintos de negociação dos conflitos associados aos empreendimentos hidrelétricos. A esperança na intervenção do Ministério Público, atuando como elemento estabilizador de estruturas mediadoras de conflitos, tem sido frustrada pela politização e pelo protagonismo exacerbado de alguns membros desse órgão – ou, ainda, pela percepção crescente, entre os diversos atores envolvidos, de que as questões ambientais, no Brasil, caminham, inexoravelmente, para a uma discussão de natureza essencialmente jurídica.

Em uma atuação memorável, o grande Paul Newman incorporou um herói inconformado em “Rebeldia indomável (Cool hand Luke)”, filme de 1967. Nele há uma frase famosa do comandante da prisão na qual o protagonista come os ovos que o diabo cozinhou – e quem assistiu ao filme sabe a razão da alteração do ditado. Posicionada no 11º lugar da lista que o American Film Institute divulgou, em 2005, contendo as cem frases mais memoráveis dos filmes de Hollywood, ela ainda ecoa por aí. Vez por outra, ouve-se a voz do diretor da prisão dizendo: “O que temos aqui é uma falha de comunicação”. E o pior é que parece que Porcina ainda não aprendeu a lição.

Ivan Dutra Faria é mestre e doutor em Política, Planejamento e Gestão Ambiental. Também é consultor legislativo do Senado Federal

Ruralistas reagem a lista ‘exterminadores do futuro’ criada pela SOS Mata Atlântica com apoio da bancada verde

17/03/2010 - 15h28
Por Luana Lourenço. da Agência Brasil em Brasília

http://noticias.bol.uol.com.br/brasil/2010/03/17/ruralistas-reagem-a-lista-de-exterminadores-do-futuro-criada-por-ong-com-apoio-da-bancada-verde.jhtm

Uma campanha lançada na última semana pela organização não governamental SOS Mata Atlântica deu início a um novo round na briga entre ruralistas e ambientalistas no Congresso Nacional. Batizada de “Exterminadores do Futuro”, a iniciativa da ONG vai listar políticos que “agem contra o meio ambiente”.


Na mira estão, por exemplo, parlamentares que defendem a flexibilização de leis ambientais, como o Código Florestal.

A bancada ruralista reagiu e pretende entrar no Conselho de Ética da Câmara contra os parlamentares que apoiam a criação e divulgação da lista de “exterminadores”. O presidente da Comissão de Agricultura da Câmara, deputado Abelardo Lupion (DEM-PR), disse que a primeira representação será contra o colega Sarney Filho (PV-MA), presidente da Frente Parlamentar Ambientalista.

“Vai ser por quebra de decoro parlamentar. Foi uma canalhice do Zequinha Sarney. Não aceitamos que se tragam ONGs estrangeiras para fazer terrorismo contra deputados que estão fazendo um trabalho sério”, argumentou.

Segundo Lupion, os advogados da Comissão de Agricultura estão levantando informações sobre outros parlamentares que manifestaram apoio à iniciativa.

Sarney Filho, que participou do lançamento da campanha, disse que não se sente intimidado com a ameaça de representação no Conselho de Ética. “Se for pelo fato de estar defendendo o desenvolvimento sustentável, a diversidade e os ecossistemas, me sinto até honrado de ir ao conselho.”

O deputado considera a atitude dos ruralistas uma tentativa de intimidar a bancada verde diante da proximidade da votação do relatório sobre modificações no Código Florestal. “Mas o tiro saiu pela culatra. Essa situação só reforça nossas convicções”, acrescentou.

Além dos deputados, Lupion disse que pretende entrar na Justiça contra a ONG caso seu nome apareça no ranking. “A partir do momento que ele divulgarem a tal lista, vamos entrar com ações de perdas e danos, de difamação, vamos quebrar essas ONGs”, adiantou.

A lista deve ser divulgada no começo de julho, às vésperas do período eleitoral. Em maio, uma versão prévia deverá ser apresentada e os “exterminadores” indicados poderão se defender antes da inclusão definitiva no ranking de inimigos do meio ambiente.

As cinco hidrelétricas no Rio Tapajós. ''Nenhum rio, no mundo, suporta isso''. Entrevista especial com Telma Monteiro

Quarta, 10 Março de 2010 09:51
Fonte: www.ihu.unisinos.br


Entrevista com Telma D. Monteiro, Coordenadora de Energia e Infra-Estrutura Amazônia da Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé


“Nenhum rio, no Brasil e no mundo, pode suportar a construção de cinco hidrelétricas, ou até menos, em sequência. Hidrelétricas causam prejuízos imensuráveis à biodiversidade”, desabafa Telma Monteiro no início da entrevista que concedeu à IHU On-Line, por telefone. Ela critica o projeto de construção do complexo de hidrelétricas do rio Tapajós, onde estão previstas cinco hidrelétricas em sequência. “O governo e seus aliados conseguiram passar as usinas do rio Madeira pela sociedade. Eles estão conseguindo passar com um trator por Belo Monte, embora estejamos resistindo bravamente. E se passarem Belo Monte, não vão ter qualquer dificuldade para aprovarem as hidrelétricas do Tapajós e todas as outras que forem planejadas para suprir a necessidade de obras para as grandes empreiteiras e de energia para as grandes eletro-intensivas”, disse ela.

Confira a entrevista

IHU On-Line – O rio Tapajós suportará a construção das cinco hidrelétricas?

Telma Monteiro – Nenhum rio, no Brasil e no mundo, pode suportar a construção de cinco hidrelétricas, ou até menos, em sequência. Hidrelétricas causam prejuízos imensuráveis à biodiversidade, imagine cinco e em sequência. Neste caso se criariam cinco grandes lagos na região da bacia do Rio Tapajós em sequência. Isto transformaria esses rios em uma espécie de sistema lacustre.

IHU On-Line – Quais são as principais falhas no projeto do Complexo de Tapajós?

Telma Monteiro – Além daqueles que apontamos para todas as outras hidrelétricas, como foi a falha do processo de licenciamento do Rio Madeira, e estão sendo as falhas do processo de licenciamento de Belo Monte no Rio Xingu, no caso das hidrelétricas do Tapajós, os impactos seriam muito grandes. Inclusive na questão de atingir terras indígenas, que afetaria o povo Munduruku. Os munduruku estão na região do Tapajós e serão diretamente afetados. A relação desses índios com o ambiente natural é muito estreita, e, no próprio inventário hidrelétrico do Rio Tapajós, isto está muito claro.

A preservação e o desenvolvimento dessas culturas irão depender fundamentalmente da manuntenção desses grupos indígenas e de seus territórios. A continuidade de suas relações com o meio ambiente é muito importante. Quando você agride toda essa biodiversidade que irá servir aos povos indígenas, está fazendo com que morra a alma antes do corpo, que é a forma mais rápida de destruição das identidades étnicas. Acho que isso reflete muito bem o que esses grandes projetos de infra-estrutura podem causar à Amazônia, em especial, nesses povos que já estão sendo afetados.

O projeto ainda nem começou, mas, pela simples menção de sua construção, esses povos já estão sendo afetados. Quando se tem uma ocupação, como no caso do Rio Madeira, esse precedente já é transferido para um novo local quando se anunciam a construção de novas hidrelétricas. Começam a fluir pessoas para esses locais, que passam a ocupar essa região de forma desordenada, e os municípios não estão preparados para esse processo migratório para a região. Na hora em que se tem a divulgação da questão das hidrelétricas nos rios Madeira, Xingu e Tapajós, é possível perceber que as pessoas já se mobilizam para chegarem a esses lugares e começarem a ocupar o espaço em busca de oportunidades de trabalho. Aí começa o caos na infra-estrutura da região.

IHU On-Line – Já se sabe qual será a potência total de geração de energia do Complexo de Tapajós?

Telma Monteiro – Os estudos de viabilidade já estão prontos e estão sendo analisados. Esses estudos indicam que o potencial previsto é de 14.245 megawatts, isso para um conjunto de aproveitamento em cascata nos rios Tapajós e Jamanchim. Lógico que estão neste projeto os mesmos que estão nos outros projetos. Foi a CNEC engenharia, uma empresa da Camargo Correa, que fez os estudos. Inclusive a própria empresa Camargo Correa não objetiva gerar energia, mas construir obras. A Camargo Correa é que vai construir Jirau, está pretendendo participar do leilão de Belo Monte e também já está envolvida nos estudos do Rio Tapajós.

Na questão do Complexo de Tapajós, temos outro precedente. Lá estão as mesmas empreiteiras, cujo fim é apenas fazer obras, e não gerar energia. Na verdade, na falta de grandes obras de infra-estrutura no Brasil durante algum tempo, estamos vendo agora uma verdadeira indústria de construção de barragens nos rios, em especial, na Amazônia.
As empresas começam a buscar uma forma original de apresentar as hidrelétricas para a sociedade. No caso do Complexo do Tapajós, é muito interessante: eles criaram uma nova figura, e isso foi um exercício da Eletrobrás, a da usina-plataforma.

IHU On-Line – A quem se destina toda a energia que será produzida nessas cinco hidrelétricas?

Telma Monteiro – Temos as grandes usinas eletrointensivas, que são aquelas cujo produto final requer um insumo maior de energia. Temos o beneficiamento do alumínio, primeiro com a extração da bauxita, que beneficia o alumínio. Antigamente, o Brasil exportava toneladas de material minerado. Hoje, o país exporta quilos de alumínio. O que essas grandes empresas eletrointensivas como a Vale precisam? Precisam extrair a bauxita e beneficiar o alumínio, e isso acontece usando a energia hidrelétrica. O custo menor para elas é manter essas indústrias que beneficiam o minério perto de usinas hidrelétricas. Onde estão essas explorações? Estão justamente na Amazônia, a região com a maior riqueza mineral do planeta. E o que essas grandes empresas eletro-intensivas querem? Querem explorar toda essa riqueza. Veja que algumas já têm uma planta pronta para uma indústria em Altamira para beneficiar a indústria de alumínio.

IHU On-Line – O que está por trás da contratação das empresas Camargo Correa e Odebrecht?

Telma Monteiro – O que é a Odebrecht? Antes de mais nada, ela é uma grande empreiteira. Embora elas sejam empresas que detenham outras em diferentes setores, sua atividade principal são obras de grande porte. O que é uma grande barragem? É um conjunto imenso que utiliza concreto, é uma construção pesada, que necessita de muitas escavações em rochas e tudo isso não se consegue fiscalizar. Isso custa muito dinheiro! Quando você faz um conjunto de cinco hidrelétricas numa região como a do rio Tapajós e com uma tecnologia nova, como é que essas empreiteiras vão ser fiscalizadas, se aquele custo que elas apresentaram para a construção não pode ser fiscalizado? Por isso, grandes obras dão muito dinheiro para esse tipo de empresa. Essas empresas vivem disso, e não de gerar energia.

Belo Monte vive outro grande problema seríssimo, porque a energia que pretendem gerar lá é de 4500 megawatts médios. Isso é mentira. Há um estudo de 2006 que diz que é impossível gerar esse nível de energia, a não ser que se construam mais três energias hidrelétricas.


IHU On-Line – Querem construir no Rio Tapajós usina-plataforma. O que é isso?

Telma Monteiro – É um novo conceito revolucionário em hidrelétricas, como diz a Eletrobrás. A ideia é que a hidrelétrica será construída sem que se faça desmatamento. É isso que eles estão planejando. A Petrobrás até lançou uma cartilha com um material especial feito para que as comunidades se apropriem dessa nova “técnica” de usina-plataforma, que tem relação com plataformas de exploração de petróleo no mar. Nós não sabemos como isso pode ser transferido para o meio da floresta. Se diz que a usina-plataforma será feita sem que haja necessidade de canteiros de obras para os trabalhadores fazerem a usina, e esses trabalhadores serão levados e trazidos através de helicópteros no meio da mata. Segundo declarações do presidente Lula e do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, essas usinas-plataformas não ampliariam o desmatamento. Esta é uma coisa muito interessante, pois não se imagina como se pode fazer um reservatório de uma grande usina hidrelétrica, no meio da Amazônia, sem desmatamento. Temos duas opções: Ou o reservatório é virtual, ou ele paira.

IHU On-Line – O que significa a construção de dois projetos considerados “mega” como o do rio Tapajós e o de Belo Monte?

Telma Monteiro – Significa que, na esteira desses dois projetos, que vão afetar terras indígenas, a biodiversidade, a vida dos ribeirinhos, o custo-benefício-social não foi divulgado. Na realidade, não sabemos qual é o custo para a sociedade dos peixes que deixarão de fazer a migração para a reprodução. Essas externalidades não estão sendo consideradas e, se estão sendo consideradas, os números não estão aparecendo. Significa, portanto, que na esteira desses projeto há outros tantos, como bem disse nosso Ministro Edison Lobão, numa reunião em Brasília, que temos um potencial de desenvolvimento para gerar energia hidrelétrica inclusive em áreas preservadas e que até esses lugares estão no plano do governo de exploração.

O governo e seus aliados conseguiram passar as usinas do rio Madeira pela sociedade. Eles estão conseguindo passar com um trator por Belo Monte, embora estejamos resistindo bravamente. E se passarem Belo Monte, não vão ter qualquer dificuldade para aprovarem as hidrelétricas do Tapajós e todas as outras que forem planejadas para suprir a necessidade de obras para as grandes empreiteiras e de energia para as grandes eletro-intensivas.

IHU On-Line – Com tantos alertas e demonstrações que provam os riscos desses empreendimentos, por que, em sua opinião, os projetos continuam avançando? Quem pode impedir que essas barragens sejam construídas?

Telma Monteiro – Temos que repensar o planejamento energético brasileiro. Estão esquecendo de uma série de medidas que deveriam ser tomadas antes de se pensar em construir megahidrelétricas no Brasil. Primeiro: quais são as perdas efetivas? Onde estão as contas que demonstram quais as perdas que existem no sistema de transmissão do país? Ninguém fala disso. O próprio professor Célio Berman demonstrou, através de um estudo com a WWF, a necessidade de detectar quais as usinas que precisam de repotenciação. Porque você acha que a energia eólica não “pegou” ainda no Brasil? Porque não interessa às empreiteiras deixar que a eólica seja uma fatia substancial de geração de energia no país. Eólica não precisa de concreto, não tem barragem, não tem escavações. Então, enquanto tiver o lobby das grandes empreiteiras querendo fazer megabarragens, nós não teremos a necessidade de desenvolver hábitos de economia de consumo, por exemplo.

Estudos comprovam que Belo Monte seria economicamente inviável devido à sazonalidade, artigo de Telma Monteiro

Por Ecodebate - 18/03/2010

Um documento de 2006, elaborado por dois especialistas do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA)[1], analisou o custo-benefício social da hidrelétrica Belo Monte e demonstrou que o empreendimento não seria viável economicamente e que não produziria a energia firme de 4.700 MW que consta dos estudos de viabilidade da Eletrobrás (2002), mas apenas 1.172 MW. O modelo utilizado pela Eletrobrás, segundo os pesquisadores, só seria válido para o complexo de cinco hidrelétricas no rio Xingu proposto inicialmente.

A importância de se formular uma estratégia energética sustentável é apresentada logo na introdução do documento. Há uma espécie de provocação para que a sociedade questione com mais propriedade a verdadeira necessidade de se construir novas mega-barragens.

A história da saga de Belo Monte, desde os anos 1980, revela que a Eletronorte fez o inventário do rio Xingu que deu origem ao relatório (Eletronorte, 2002) chamado de “Estudos Xingu” e que apresentou um conjunto de cinco aproveitamentos: Jarina (558,72 MW), Kokraimoro (1940 MW), Ipixuna (2312 MW), Babaquara (6273,96MW), Kararaô (8380,8 MW).

Em 2002 esse relatório, em nova versão, considerou um aproveitamento de 11 180 MW e um reservatório com 440 km². O EIA/RIMA foi elaborado pela Eletrobrás, pelas empreiteiras Camargo Correa, Odebrecht e Andrade Gutierrez e excluiu a construção das demais usinas considerando que as limitações hidrológicas não permitiriam que a potência instalada de 11 mil MW fosse alcançada durante o ano todo. A sazonalidade do rio Xingu.

As informações apresentadas pelos dois pesquisadores lançam uma luz sobre os aspectos de viabilidade econômica do empreendimento. Belo Monte foi concebida sob o entendimento arrogante de que uma região de baixa densidade demográfica poderia receber áreas inundadas e com isso, os impactos poderiam ser reduzidos. Interesse dos propositores do projeto, evidentemente.

No Xingu, o período de estiagem acontece de junho a novembro e o período mais chuvoso vai de janeiro a março. O reservatório de Belo Monte poderia levar a uma elevação do lençol freático na região causando sérios transtornos ecológicos. Com as alterações água/solo causadas pelo aumento no nível do lençol freático, novas nascentes apareceriam e antigos lagos próximos aos reservatórios aumentariam de volume. Os pesquisadores do ITA mencionam esses exemplos da superficialidade com que a Eletronorte (2002) abordou a situação.

O modelo para calcular a energia firme usado pelo setor elétrico brasileiro é o MSUI (Modelo de Simulação a Usinas Individualizadas), ferramenta oficial que foi desenvolvida pela Eletrobrás e que já está caindo em desuso. As principais dificuldades para se calcular a energia firme decorrem das incertezas nas vazões dos rios. No caso do Xingu a diferença entre cheias e vazantes – sazonalidade, é muito grande.

A Eletronorte usou o modelo MSUI no projeto de Belo Monte para calcular a energia firme de 4.700 MW.

Um grupo de pesquisa da Unicamp liderado pelo professor Secundino Soares Filho desenvolveu um outro simulador, mais evoluído, chamado HydroSim LP para calcular a energia firme para um sistema de usinas hidrelétricas.

Marcelo Augusto Cicogna (2003) apresentou em sua tese de doutorado, uma simulação realizada no HydroSim com o conjunto de usinas projetadas inicialmente para serem construídas no rio Xingu. Ele também fez simulações com o HydroSim levando em consideração a construção apenas de Belo Monte, sem os demais empreendimentos e o valor, muito diferente daquele obtido pela Eletronorte, foi de 1.172 MW médios.

Nessa outra simulação, com o HydroSim, em que o resultado obtido para a energia firme de Belo Monte foi de apenas 1.172 MW médios, deixou evidente que a sazonalidade aliada a ausência dos grandes reservatórios reguladores a montante resultaram nesse valor bem abaixo dos estudos da Eletronorte.

Os especialistas do ITA, com base na tese de Marcelo Cicogna, concluíram que:

“A geração de energia firme superior a 1.172 MW pelo Complexo Hidrelétrico de Belo

Monte, está diretamente subordinada a implantação de novos empreendimentos nessa região, uma vez que estes reservatórios proporcionariam a regularização do sistema. Concluí-se que, para a obtenção de energia firme de cerca de 4.700 MW médios, a Eletronorte utilizou em sua simulação (MSUI) a operação coordenada do conjunto de usinas do Rio Xingu. Caso contrário, não seria possível explicar a considerável diferença entre os valores de energia firme resultantes (1.172 MW e 4.714 MW) dos dois simuladores.”

Os dois estudos levam à indagação sobre qual é a verdade que está por trás da volúpia do governo na construção da usina de Belo Monte. Afinal resta demonstrado que esse mega-monstro é inviável economicamente com o agravante dos custos desprezados das externalidades (escreverei sobre isso). Os estudos podem comprovar, mesmo que só lancem dúvidas sobre os cálculos da energia firme apresentado pelos desenvolvedores.

Empresas estatais, empreiteiras, indústrias eletrointensivas, bancos estão disputando acirradamente esse anátema. Alguém teria uma explicação?

[1] Wilson Cabral Sousa Júnior - Doutor em Economia wilsonjr{at}ita.com.br

Neidja Cristine Silvestre Leitão - Mestre em Infra-Estrutura Aeronáutica cris_jansen{at}yahoo.com.br

Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA)

Análise Custo-Benefício Belo Monte (2006)

Estudo de Marcelo Cicogna (2003)

Telma D. Monteiro é Coordenadora de Energia e Infra-Estrutura Amazônia da Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé

quarta-feira, 17 de março de 2010

Indústria fonográfica emite 540 mil toneladas de gases tóxicos, revela pesquisa

Juliana Xavier
Redação UrbanPost, de São Paulo












A indústria fonográfica britânica é responsável pela geração de 540 mil toneladas de gases tóxicos no período de um ano. A conclusão é de um estudo da Universidade de Oxford, uma das instituições de ensino mais renomadas do país, e que levou em conta as emissões de produtoras, gravadoras e grandes produções.

Cerca de três quartos desse volume são emitidos durante apresentações ao vivo. O restante parte de dentro dos próprios estúdios de gravação, ou seja, durante a produção ou divulgação de um novo álbum, por exemplo.

A pesquisa foi realizada em conjunto com a organização não-governamental Julie Bicycle, fundada justamente para ajudar a indústria de entretenimento a repensar em métodos de trabalho menos nocivo ao meio ambiente. Artistas como Radiohead, U2, Coldplay, Sting, Annie Lennox, KT Tunstall e Peter Gabriel só conseguiram dar respaldo às suas ações ambientais depois de se filiarem à ONG.

De acordo com as agências internacionais, essa foi a primeira pesquisa que conseguiu, de fato, obter números aproximados do tamanho do problema. Os cientistas envolvidos consideraram todas as etapas da produção anual da indústria musical britânica – da gravação de um disco às performances ao vivo – e as relacionaram com a emissão de gases estufa.

Os números foram mensurados a partir do Live Earth de 2007, uma maratona musical de 24 horas que reuniu artistas como Madonna e The Police em diversos países e diferentes continentes em prol da campanha contra o aquecimento global. O evento foi organizado por Al Gore, político e ativista de fama internacional e pela organização S.O.S. (Save Our Selves), grupo que também luta pela mesma causa.

segunda-feira, 15 de março de 2010

HORA DO PLANETA - Participe!!!



No próximo dia 27 de Março junte-se à mais de Um Milhão de Pessoas que estarão manifestando a sua preocupação com o nosso meio-ambiente. O ato é simples: das 20:30hs às 21:30hs milhares de casas em todo o planeta desligarão suas luzes pelo período de 01 hora.

VENHA VOCÊ TAMBÉM CONOSCO!!!

sábado, 13 de março de 2010

Vitória - Direitos dos Animais




08 de março de 2010

Autoridades e protetores comparecem à criação da Delegacia de Proteção aos Animais de Campinas (SP)

Em solenidade na Delegacia Seccional de Polícia de Campinas, em SP, sexta-feira, dia 5, foi oficialmente criada e instalada a Delegacia de Proteção Animal de Campinas, a primeira do Estado de São Paulo.

A unidade policial funcionará no 4º Distrito Policial (Taquaral) e a titular será a Dra. Rosana Mortari, uma conhecida batalhadora da causa animal.

Estiveram presentes autoridades policiais, chefiadas pelo delegado Seccional, Dr. Paulo Tucci, o deputado estadual Jonas Donizette, que conseguiu esta conquista, o presidente do Conselho Municipal de Proteção e Defesa dos Animais de Campinas, Flávio Lamas, presidentes de ONGs e protetores independentes.

Vereador apresenta projeto em defesa dos animais, em Atibaia (SP)




Atibaia Neus - 06 de março de 2010

O vereador Josué Luiz de Oliveira, o Dedel, apresentou, na sessão de segunda-feira, dia 1º, proposta que estabelece normas para assegurar a proteção de animais da cidade de Atibaia (SP) contra os maus-tratos, abusos e quaisquer formas de crueldade.

A preocupação do vereador é criar um instrumento legal para a fiscalização e tomada de medidas jurídicas penalizando os infratores que desrespeitarem as leis em defesa aos direitos dos animais. O objetivo é extinguir práticas como a de vivissecção (ato de dessecar um animal ainda vivo para que sejam realizadas pesquisas), rinhas, abates, promoção de feiras sem que os animais estejam imunizados, abandono ou quaisquer medidas que comprometam os direitos básicos de sobrevivência.

A meta do parlamentar é criar normas que assegurem o bem-estar dos animais e sua integridade física. “A Declaração Universal de direitos dos animais existe desde 1978, no entanto, atualmente, eles não possuem uma proteção legal efetiva e isso é necessário também para que outras espécies não corram risco de extinção.”

No documento, Dedel chama a atenção para a conscientização do poder público municipal e dos tutores de animais domésticos sobre a guarda responsável e a garantia de uma boa qualidade de vida para as espécies.”Compete a todos combater a crueldade contra os animais, defendendo-os de todas as práticas que coloquem em risco sua função ecológica. Todo animal merece viver de acordo com sua natureza, sem ser ferido, abusado ou explorado pelas mãos humanas”, concluiu o vereador.
(com informações do Departamento de Comunicação da Câmara Municipal de Atibaia)


Fonte: Atibaia News

Mudanças climáticas: ‘os pobres são aqueles que sofrerão mais e primeiro’. Entrevista especial com Aron Belink

12/03/2010) publicado pelo IHU On-line, parceiro estratégico do EcoDebate na socialização da informação.

A discussão entre vários grupos que estão envolvidos na questão do clima, buscando a articulação e compartilhamento de iniciativas é o principal objetivo da Campanha Global para Ações para Proteção do Clima (GCCA). Nesta entrevista, concedida por Aron Belinky, coordenador da GCCA no Brasil, ele analisa no que resultou a Conferência do Clima em Copenhague, a COP 15, e explica como andam as preparações para o evento. “A campanha está se direcionando, principalmente, em duas frentes. Uma delas é cobrarmos do governo brasileiro as medidas nacionais, que tem a ver com o que foi discutido durante a COP 15, como, por exemplo, o inventário nacional de emissões. A sociedade deve cobrar isso”, afirma. A entrevista foi realizada por telefone.

Ainda sobre avanços na GCCA deste ano, Belinky fala sobre suas abordagens. “Uma das coisas que ficaram claras é que a campanha deve se focar não só no projeto das Nações Unidas, mas também naquilo que acontece ao nível de cada país e a nível do cidadão, da empresa e do que cada um está fazendo no seu dia-a-dia”, garante.

Aron Belinky é pesquisador e consultor, especialista em responsabilidade social, sustentabilidade e consumo sustentável, tem formação em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas (SP) e Geografia pela Universidade de São Paulo.

Confira a entrevista:

IHU On-Line – O que está sendo preparado para a Campanha Global para Ações para Proteção do Clima deste ano?

Aron Belinky – Ainda estamos com a campanha fechada no Brasil, pois queremos fazer a campanha daqui coordenada com a internacional, que também está em fase de planejamento. Ainda não temos uma agenda exata para o ano. Possivelmente teremos isso mais definido no final de março. A campanha está se direcionando, principalmente, em duas frentes. Uma delas é para cobrarmos do governo brasileiro as medidas nacionais, que tem a ver com o que foi discutido durante a COP 15, como, por exemplo, o inventário nacional de emissões. Este é um ponto fundamental a ser tratado, e que até agora não apareceu. A sociedade deve cobrar isso. Outro exemplo são medidas ligadas ao combate ao desmatamento.

No plano internacional, temos duas grandes linhas em que vamos trabalhar. Uma é o projeto das Nações Unidas, propriamente dito, que é acompanhamento da COP 16, onde percebemos que haverão várias mudanças. O secretário da Conferência do Clima, Yvo de Boer [1], renunciou há algumas semanas. Ainda está sendo escolhido quem será seu sucessor, e isso é muito sintomático. Isso faz parte das dificuldades de ter um processo de organização e de solução dos conflitos na conferência que seja mais eficaz, para não dar uma paralisia como tivemos em Copenhague. Um outro ponto do plano internacional, que também vamos acompanhar, é todo o trabalho preparatório. Existem desde reuniões com o G8 e G20, que já estão acontecendo e que, de alguma maneira, preparam as negociações da COP 16, e também reuniões com outros grupos da sociedade civil. Por exemplo, tem essa conferência que acontecerá em Cochabamba, em abril. Lá os movimentos sociais, que são mais de esquerda, estão questionando como avançou a discussão do clima na COP 15, e estão colocando alguns pontos de cobrança. A discussão entre vários grupos que estão envolvidos na questão do clima é um ponto importante que iremos trabalhar ao longo do ano.

IHU On-Line – Em relação às campanhas anteriores, para onde esta nova edição quer avançar?

Aron Belinky – O problema da discussão do clima é que temos muitas frentes ao mesmo tempo. Se pensarmos naquilo que era objetivo na COP 15, um tratado climático global que fosse justo, legalmente vinculante e ambicioso, vemos que isso terá que passar, necessariamente, por muita negociação diplomática e pelo compromisso dos países comprometidos. Ainda não está claro qual será a agenda específica da COP 16, já que ela irá depender dessas negociações preparatórias. Na verdade, o objetivo final continua sendo o mesmo, que é uma convenção do clima que seja capaz de levar em conta tanto as questões da justiça, de responsabilidades de países, o que tem muito a ver com a contribuição para os fundos de adaptação, quanto a questão da ambição. Por exemplo, aquele acordo fechado no final da COP 15, em que os países deveriam colocar suas metas, ficou extremamente fraco e modesto.

Nossa meta de cobrar continua. Queremos que cada país participante apresente metas de redução nas emissões de gases de efeito estufa que apontem contra a elevação da temperatura, para que esta não passe de dois graus. A essência do que está sendo cobrado não muda. O que muda, na verdade, é a tática com que a campanha irá operar. Talvez isso não seja simples para o público externo. Conversamos em um momento em que a campanha ainda está discutindo de que maneira transformar essas diretrizes estratégicas em pontos de campanha.

IHU On-Line – Como a questão do consumo será discutida dentro da Campanha Global para Ações para Proteção do Clima?

Aron Belinky – Isto já está bem claro. Recentemente, tivemos uma discussão sobre o planejamento global da campanha, e uma das coisas que ficaram claras é que a campanha deve se focar não só no projeto das Nações Unidas, mas também naquilo que acontece ao nível de cada país e a nível do cidadão, da empresa e do que cada um está fazendo no seu dia-a-dia. Neste sentido, vamos enfatizar na campanha a importância de que, além de termos os resultados e um marco regulatório de política política pública na área internacional, tenhamos também uma referência no cotidiano das pessoas que seja de um consumo menos impactante. Já trabalhamos muito nesta direção, mas a mensagem é a de que toda a entidade irá trabalhar dentro da sua própria vida. O Greenpeace, que é parceiro da campanha, tem seu modo de falar. O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC), que também é parceiro, tem o seu modo. Cada um irá enfatizar, de acordo com a sua agenda, o fato de que não são só os governos, mas também o cotidiano das pessoas e das organizações.

IHU On-Line – Que desafios se colocam, para sociedade civil, governos e empresas, em relação a questão do aquecimento global, principalmente depois dos acordos firmados em Copenhague?

Aron Belinky – Na verdade nenhum acordo foi firmado. Aquele acordo de Copenhague, como foi chamado, que saiu de última hora, costurado na proposta do Obama, ninguém considera como acordo climático. Ali se tem intensões muito frouxas e básicas sobre o que poderia ser um acordo do clima, mas não serve de referência para ninguém. É um documento extremamente genérico, e o máximo que irá servir é para que novas conversas sejam feitas em cima dele. Não se imagina que uma empresa, um governo ou uma entidade qualquer vá fazer alguma coisa em função disso que saiu de Copenhague. Quando falo disso, falo na Conferência das Nações Unidas. O que também aconteceu em Copenhague, e isso é importante olharmos, foram dezenas de reuniões entre empresas, grupos setoriais de várias áreas e uma série de eventos paralelos, entre organizações da sociedade civil e entre governos de nível sub-nacional. Por exemplo, José Serra, governador de São Paulo, encontrou Schwarzenegger [2], governador da Califórnia, para discutir o que cada um pode fazer ou está fazendo em seus estados pela questão da mudança do clima.

Esses acordos, feitos fora do âmbito das Nações Unidas, não têm essa força global que uma conferência do clima teria e tem, mas são muito importantes no sentido de dar orientações e de estabelecer, em termos de campos de cooperação entre essa turma. Aí vemos um lado positivo. Não se tem uma orientação geral para todas as empresas, mas se tem muitos direcionamentos. Está muito claro para qualquer empresa, que esteja atenta ao que foi discutido, que o caminho agora para o desenvolvimento econômico passa pela energia limpa, que passa por soluções de baixa emissão de carbono. Esta sinalização já está dada para as empresas, e acredito que muitas vão começar a agir olhando isso como um direcionamento estratégico. Lembrando que já se tem um tratado internacional apontando para isso, isso já tem uma tendência demonstrada pelos vários contatos.

IHU On-Line – De alguma forma, a falta de resultados em Copenhague pode significar, de alguma forma, um avanço?

Aron Belinky – Um avanço acho que não. Eu diria que a falta de resultados, ou seja, as Nações Unidas não terem conseguido chegar a um tratado global como se esperava, seguramente, não ajuda ninguém. Assim, ajuda quem está trabalhando contra aquilo que acreditamos, que é uma economia de baixo carbono. O único grupo que vi, que ficou contente com a falta de resultados em Copenhague, foram aqueles órgãos que trabalham para desacreditar toda a discussão sobre mudança climática, e que estão aproveitando essa frustação que acabou acontecendo para reforçar a crítica, dizendo que o aquecimento global não é bem assim e que o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) não sabe o que está falando. Sim, o aquecimento é um problema e ele é causado pela ação humana. Se algum dado não é tão preciso assim, isso não invalida o conjunto de esforços.

Acho que o sucesso do sistema de decisão na ONU, a grande falha de Copenhague, não ajudou ninguém. Foi negativo e se alguma coisa boa pode surgir disso é a percepção de que é preciso melhorar o sistema decisório, que é o que estamos fazendo agora, de como discutir a COP 16 e não terminar em algum tipo de impasse por causa da forma de decisões.

IHU On-Line – Como o senhor vê a tese do decrescimento sustentável?

Aron Belinky – Falando como campanha, ainda não temos uma opinião formada. Pessoalmente, acho que se trata de algo que faz um certo sentido, mas o caminho para ela passa pela educação por uma outra vertente. Esta é uma discussão cultural, comportamental e de valores da sociedade. Esta questão cabe na discussão do clima, mas é importante falar sobre perfil de decrescimento. O que foi debatido em relação a esse tema foram as condicionantes: porque isso acontece? Se está aliado a um aumento do consumo per capita ou não? Onde esse consumo aumenta? Tem muita coisa para ser discutida sobre esse assunto. Ele não pode ser tomado sozinho.

IHU On-Line – Alguns pesquisadores dizem que os países pobres são os que vão sentir primeiro e de forma mais intensa os problemas do aquecimento global. O Brasil vai sentir quando?

Aron Belinky – Certamente, a questão das mudanças climáticas, que ocorrem em função do aquecimento global, afeta todo o mundo no planeta, tanto ricos quanto pobres, e, de alguma maneira, todos terão efeitos dramáticos e grandes prejuízos em função disso. Este é um ponto de partida. Dentro desse cenário, podemos dizer que os mais pobres são aqueles que sofrerão mais e primeiro. Isto, principalmente, pelo fato de que, por um lado, esses países pobres têm menos recursos para se prevenir e para remediar, o que acontece quando se tem um evento extremo causado pela mudança climática, um inverno ou verão rigoroso, por exemplo, e se o país tem instituições bem estabelecidas e uma rede social estruturada, de uma maneira as consequencias conseguem ser amenizadas ou administradas de modo que as pessoas sofram menos. Num país pobre, se tem muito menos estrutura e recursos para fazer frente com esse tipo de situação, e as pessoas vão sofrer mais. Geralmente não se tem estoques ou redes de distribuição de comida ou assistência para acidentes. Um outro exemplo é ter um sistema de defesa civil estruturado e com tamanho capaz de fazer frente aos desastres, como no caso das enchentes. No Brasil, quando há uma enchente, são os pobres que sofrem mais, pois eles moram em locais mais sucetíveis às questões climáticas. É por isso que os pobres vão sofrer antes.

O Brasil é um país que tem, por um lado, alguns núcleos ricos e, por outro, grandes massas pobres, e não tem estrutura para atender a todos. Do ponto de vista dos efeitos dos eventos climáticos, o Brasil é um dos países que sofrerá muito. Até porque o Brasil é pouco preparado para lidar com isso. É só ver essas chuvas no final do ano passado, o tipo de problema que tivemos e a capacidade de reação do país, que é extremamente limitada, sem ter uma mapeamento claro de onde podem haver riscos. Umas das prioridades para o Brasil deve ser um mapeamento das áreas de vulnerabilidade climática. Deve haver um estudo prévio que diga: se tivermos um aumento de chuvas na região sul e uma intensidade de ventos, onde isso causará problemas? Tem que ser mapeado, na terra mesmo, e deve haver um plano para atender isso. Deve haver recurso e planejamento, de modo que, quando venha a tragédia, se consiga diminuí-la por já estar preparado. O Brasil não está nada preparado.

Notas:

[1] Yvo de Boer é o atual secretário executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. Em fevereiro de 2010, anunciou a renúncia ao cargo, o que acontecerá efetivamente em julho de 2010. Foi diretor-geral adjunto do Ministério do Ambiente holandês, vice-presidente da Comissão das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, consultor do Banco Mundial e do governo chinês.

[2] Arnold Alois Schwarzenegger é um ex-ator, atual governador do estado da Califórnia (Estados Unidos)

Em defesa da legislação ambiental, ambientalistas lançam campanha ‘exterminadores do futuro’

Contra ruralistas, ambientalistas lançam campanha “exterminadores do futuro” – A bancada ambientalista do Congresso lançou ontem uma ofensiva para impedir alterações substanciais exigidas por parlamentares ruralistas no Código Florestal Brasileiro. Às vésperas da campanha eleitoral, a estratégia é radicalizar o discurso em defesa da atual legislação para constranger os ruralistas.

Auxiliados pela ONG Fundação SOS Mata Atlântica, a Frente Ambientalista decidiu “divulgar” uma lista dos principais defensores da mudança da legislação ambiental. Batizada de “Exterminadores do Futuro”, a campanha identificará quais são os deputados e senadores mais engajados no afrouxamento das regras ambientais. “A gente tem que constrangê-los. Eles têm que assumir a responsabilidade por suas opções”, diz o coordenador da Frente Ambientalista, deputado Sarney Filho (PV-MA), também conhecido como Zequinha Sarney. “Temos que usar nossas armas”. Reportagem de Mauro Zanatta, no Valor Econômico.

A iniciativa foi recebida pelos ruralistas como uma “campanha intimidatória”. A sessão de ontem da Comissão de Agricultura da Câmara transformou-se em uma sucessão de ataques a ambientalistas e ONGs do ramo. Classificados de “desocupados” e “paus mandados”, os ambientalistas foram acusados de trabalhar pelos interesses da agricultura de países ricos. O recém-empossado presidente da comissão, deputado Abelardo Lupion (DEM-PR), ameaçou denunciar os parlamentares envolvidos na campanha no Conselho de Ética da Câmara. “É uma campanha nojenta”, emendou o presidente da comisssão especial de reforma do Código Florestal, deputado Moacir Micheletto (PMDB-PR). “É um movimento agressivo, difamatório, sem escrúpulos e de caráter eleitoreiro”.

A lista dos “exterminadores” terá uma gradação de acordo com o nível de defesa da alteração das leis ambientais. “Queremos mostrar para a população que todos podem fazer alguma coisa contra aqueles que querem promover retrocessos a nossa legislação ambiental”, disse Mario Mantovani, diretor de Políticas Públicas da SOS Mata Atlântica. “E também mostrar aos políticos que estamos de olho neles, acompanhando tudo de perto”. A relação final dos políticos mais alinhados com a alteração das regras será divulgada em julho, justamente para surtir efeito durante as eleições de outubro.

A reação dos ruralistas incluirá argumentos colhidos ao longo de 30 audiências públicas realizadas em todo o país sobre as mudanças no Código Florestal. Parte do PT também apoiará a estratégia ruralista. Membro da comissão especial, o deputado Anselmo de Jesus (PT-RO) afirmou que as ONGs querem “destruir” a agricultura brasileira. “Um agricultor da Amazônia, que dá 80% de seu salário ao meio ambiente, concorre em igualdade de condições com outro que dá 20%”, comparou, em referência aos percentuais de reserva legal mínima exigida para a Amazônia (80%) e Mata Atlântica (20%).

Os parlamentares ruralistas afirmaram que o atual debate deve ser ampliado para o Código Ambiental, que inclua as cidades, e não apenas o campo. “É estranho que esses defensores do meio ambiente não tenham apresentado sugestões nem participado das audiências públicas”, criticou Micheletto. “O deputado Zequinha Sarney, por exemplo, não participou da audiência pública promovida em Imperatriz, no Maranhão. Não entendi o comportamento dele”.

A repercussão entre os ruralistas agradou aos ambientalistas, que recentemente tiveram uma vitória de bastidores ao emplacar o deputado Jorge Khoury (DEM-BA) no comando da Comissão de Meio Ambiente da Câmara. “A situação na comissão ainda não é das melhores, mas já estamos bem mais tranquilos”, afirmou Sarney Filho, que coordenou as negociações de bastidores para evitar o controle da comissão pelos ruralistas.

A SOS Mata Atlântica também apresentou uma carta com os compromissos que os políticos devem adotar para proteger o patrimônio natural brasileiro. Além disso, será lançado um site que permitirá a qualquer pessoa informar sobre a atuação de seus candidatos em relação às leis ambientais.

sexta-feira, 12 de março de 2010

O que seu almoço tem a ver com as enchentes de São Paulo?

Enchentes e alagamentos em São Paulo, durante o verão, não são novidades. Já ouvimos falar nestes problemas bem antes de se começar a falar em aquecimento global. Porém, aparentemente alguma coisa mudou. E para pior.
Em 2010, a intensidade das chuvas aumentou. Áreas que antes não eram afetadas, agora são. Regiões acostumadas a pequenos alagamentos se surpreendem com a água cobrindo as casas. Encostas relativamente seguras desmoronam com mais freqüência, devido ao encharcamento do sub-solo. O nível dos reservatórios e represas está no máximo. Os sistemas de drenagem que antes funcionavam em poucas horas após a chuva parar, agora levam dias, e isso quando drenam. Aquela conhecida chuva do final de tarde agora chega mais cedo, logo depois do almoço. Os túneis se transformam em rios, na hora da chuva e sinceramente não me lembro de tantos dias seguidos de chuva na região metropolitana, que já batem o record de 36 dias seguidos debaixo d´agua. Isso tudo deixa claro que nosso clima está mudando.
A grande maioria dos especialistas credita esta mudança ao chamado aquecimento global que se sabe ocorre em grande parte devido às emissões dos chamados gases do efeito estufa. E o que o seu almoço tem a ver com isso? Tem a haver, pois dentre as atividades que mais emitem gases estufa está a pecuária. A criação de gado é a maior responsável pela devastação da floresta amazônica, pois se derrubam árvores e queimam florestas para a formação de pastos. Isso emite CO2 e não permite sua reabsorção. Outro motivo de invasão da floresta é a lavoura de soja, grão muito usado para fabricação de rações para o gado confinado, no Brasil e que também exportamos para o gado de outros países.
O sistema digestivo dos ruminantes libera em grandes quantidades o gás metano na atmosfera e este gás é 20 vezes mais potente que o CO2 em termos de contribuição para o aquecimento global. Tudo isso sem falar na contaminação do solo e desperdício de água doce desta atividade. Hoje já temos no Brasil mais bois que homens e mais vacas que mulheres. Se nada for feito, em 30 anos a população humana terá se estabilizado, enquanto os pecuaristas trabalham para dobrar o número de cabeças de gado até lá. Ai já terá passado o chamado “ponto de não retorno”, e não haverá mais muita coisa a ser feita para equilibrar a vida na Terra.
Não se têm mais dúvidas que o verdadeiro combate à degradação do nosso planeta passa pela mudança dos nossos hábitos alimentares. Tem gente que chama isso de “ A Revolução da colher”, pois a mudança começa pelo nosso prato. Para estimular a reflexão sobre deixar a carne de lado, estudos americanos com pessoas adventistas, que por motivos religiosos não se alimentam de carne, mostram que estas pessoas vivem em média 10 anos a mais e chegam a “melhor idade” bem mais saudáveis que os carnívoros.
Voltando às chuvas de São Paulo, criticar o Prefeito Kassab, que disse a frase infeliz: “a cidade está preparada para as chuvas”, pode até ser uma atividade interessante do ponto de vista democrático, mas carece de coerência se a crítica for feita durante um almoço na churrascaria.


Publicado no Jornal Fato Paulista

CAMPANHA CONTRA O MACDONALD´S



McCruelty

A organização PETA - People for the Ethical Treatment of Animals - promove uma campanha contra a grande rede de fast food, o McDonald's.

Exibem vídeos sobre a violência embutida nos hambúrgueres "felizes", consumidos por grande parte da população, principalmente as crianças, principais alvos das campanhas publicitárias.

Visite o site e divulgue:

http://www.mccruelty.com/