A PECUÁRIA E AS NOSSAS FLORESTAS
Em 16 de Junho de 2009 um artigo trazia a seguinte notícia: “MP Associa Consumo de Carne ao Desmatamento da Amazônia”.
O que muitos não querem enxergar é que a pecuária é hoje o principal responsável pelo desmatamento de florestas no nosso país. Até a década de 90 o Brasil produzia carne suficiente apenas para alimentar o mercado interno. Mas de 1990 para cá as cabeças de gado aumentaram em proporções alarmantes e, segundo algumas estimativas, o Brasil tornou-se o maior exportador mundial, com 1,9 milhões de toneladas por ano (2). Entre os seus maiores clientes temos o Reino Unido, a Rússia, o Egito e o Chile (3). E é a floresta amazônica quem mais sofre com a pecuária no Brasil. Essa região é responsável por 80% da produção de carne no Brasil (4). Um outro dado preocupante mostra que, devido a expansão da produção de carne na Amazônia, o escravidão no Brasil quintuplicou em 10 anos (5). Estima-se que cerca de 25.000 escravos trabalhem na região, pessoas que são trazidas de milhares de milhas, longe de suas terras natais, são forçadas ao trabalho escravo e à aquisição de mantimentos a preços inflacionados nas lojas dos fazendeiros, ficando assim em dívida permanente (6) – Dados de 2002 à 2005.
Antes do MP se manifestar sobre esse polêmico tema, tínhamos apenas relatórios como resultados de estudos desenvolvidos por ONG’s, mas geralmente não eram levados tão à sério pela população e, muitas vezes, ignorado pelo nosso governo. Uma dessas ONG´s, o Greenpeace, após três anos de investigações concluiu um estudo que mostra que a indústria da pecuária nacional é a maior responsável pelo desmatamento da Amazônia. Segundo o documento, marcas de produtos conhecidos contribuem involuntariamente para esse processo. Esse relatório chamado de Farra do Boi mostra como nosso governo fecha os olhos para o problema que afeta diretamente a região amazônica. Apesar do nosso governo ser o responsável por zelar pela preservação da nossa floresta, colabora diretamente com a destruição da mesma ao destinar recursos do BNDES para o financiamento de negócios ligados ao setor da carne.
Tristemente o nosso Brasil é o quarto maior emissor mundial de gases do efeito-estufa (GEE), e isso deve-se ao desmatamento e as constantes queimadas na Amazônia. Dados recentes nos mostram que 20% das emissões globais de GEE são resultado da destruição das florestas tropicais. Ou seja, zerar o desmatamento seria a maneira mais rápida e mais econômica de combater as mudanças climáticas e proteger a biodiversidade.
Mas o principal desafio seria combater os vetores econômicos de desmatamento nas áreas de expansão das fronteiras agrícolas, como a Amazônia. Essa dificuldade também já foi identificada pelo próprio Banco Mundial
A população poderia ajudar muito se já comprasse essa briga, deixando de consumir produtos ligados ao negócio da carne. Infelizmente nossa cultura baseada na idéia de que a carne seria o alimento ideal e na satisfação do prazer no consumo desse tipo de alimento (uma demonstração clara de quanto o ser humano é egoísta) levam a um consumo cada vez maior e fazem a alegria de toda a indústria que gira em torno desse negócio monstruoso e devastador. Segundo a ONU o Brasil peca por não incluir o custo ambiental no preço da carne produzida aqui. Se isso acontecesse, os preços não seriam interessantes,na verdade seriam até inviáveis e não haveria consumo. E o brasileiro, com isso, não percebe que essa carne vendida no nosso país e exportada para os outros países vem com Cheiro de Floresta Queimada.
Teremos entre os dias 07 e 18 de Dezembro, a Convenção do Clima de Copenhague, na Dinamarca. Essa será a melhor oportunidade para os governos de todos os países do mundo estabelecerem metas para a redução drástica das emissões de GEE. Mas para o sucesso desse acordo as ações para minar os vetores econômicos do desmatamento e destinar recursos para o combate do mesmo devem estar entre as prioridades do mesmo .
(1) Dan Buglass, Brazil on alert after foot and mouth case. The Herald, 12 Outubro
2005.
(2) (2) The Meat and Livestock Commission, ibid.
(3) (3) David Kaimowitz, Benoit Mertens, Sven Wunder e Pablo Pacheco, Hamburger
Connection Fuels Amazon Destruction: Cattle ranching and deforestation in Brazil’s
Amazon. Center For International Forestry Research, 2004.
http://www.cifor.cgiar.org/publications/pdf_files/media/Amazon.pdf
(4) (4) ibid.
(5) (5) Larry Rohter, Brazil’s Prized Exports Rely on Slaves and Scorched Land. The
New York Times, 25 Março 2002.
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